Confesso, adorava esta série. Era pirosa, a personagem principal representava mal,mas era óptima!Os mitos estavam bem estudados, os episódios eram inteligentes e variados,mas , sobretudo, era emocioanante!Merda, que grandes cenas de luta!Acredito que Xena se mantém como o padrão para qualquer heroína guerreira das séries actuais!
Não,minto, o sobretudo é para as personagens de Xena,Gabrielle e Calypso!
Xena, a princesa que fora uma guerreira sanguinária e cruel,mas que buscava uma outra forma de agir,Gabrielle, a intelectual e Calypso , o resultado do passado de Xena. Xena e Gabrielle e lésbicas? Sim. Isso era apresentado de forma ridicula,não ?Isso significava que odiavam os homens? Também não. Os problemas eram sempre resolvidos através de um misto de inteligência e luta e esta nunca era bronca, assim como Gabrielle nunca era cobarde. Os inimigos de Xena e Gabrielle eram de ambos os sexos e não havia um padrão: cada um era diferente.
Xena foi, das séries que vi, a primeira a apresentar personagens femininas complexas, variadas, sem que houvesse aquela personagem vazia e imbecil que representa a MULHER , ou a pseudo – guerreira sem causa e ansiosamente á espera de se tornar vazia e imbecil.
Hoje,passados 10 anos…temos Marian. Isso, a Marian deste Robin Hood . Marian é uma Xena sem passado de assassina.Estou a ignorar o facto de uma mulher da Idade Média ser perita em artes marciais,mas a verdade é que, tal como Lucy Lawless, também Lucy Griffiths nos faz esquecer esses pormenores, enquanto a vemos deixar KO os homens do Xerife!
Não é simpática, não é doce, não gosta de ver o seu território invadido pelo seu antigo namorado, não gosta de ser mandada…aliás, tem uma queda para super – heroína, para esconder a sua identidade por trás de uma figura mascarada que prefere atacar de noite.Marian só é Xena quando coloca a máscara.Quando não está mascarada, mostra uma cara aparentemente bondosa,enquanto a vemos manipular,organizar,conspirar e sempre,sempre,tentar manter o controlo, por detrás das paredes do seu castelo.
Não foge do vilão (?) porque este a repugna, mas porque este a atrai,mas depois volta e depois volta a jurar amor ao Robin,mas, quanto teve oportunidade de ficar com ele na floresta, sentiu – se sufocada.E depois voltou para perto do vilão, sentindo-se feliz por poder morrer com ele. Mas o mais original é podermos ver uma personagem feminina a desejar um homem pelo seu corpo, a ficar algo confusa…enfim, a sentir tesão.
Mantém uma rivalidade muito especial com o Xerife: ambos se detestam porque ambos competem pelo mesmo homem,que são capazes de trair alegramente, Sir Guy of Gisbourne. Não o amam,mas não suportam não ter o exclusivo da sua atenção. Ou talvez amem…á sua maneira não muito saudável.
Marian é uma Xena que ainda não se libertou, que se sente encurralada e frustrada: prefere resolver as coisas recorrendo ao reciocinio frio,mas é na luta que se sente realizada. O pior é que não anda pelo mundo,como Xena: está confinada a Nottingham, a defender um povo de totós que, caso não fossem totós,não precisariam dela.


