Outubro 2007
Outubro 31, 2007
Outubro 29, 2007
Esta é uma tentativa óbvia de atrair pessoas, usando os motores de busca. È desonesto, mas é por uma boa causa.
O objectivo é muito simples: dos milhões de pessoas que eu tenho a certeza, acudirão a este blog, pedir ás mulheres com mais de 18 anos, de nacionalidade portuguesa , que participem no novo estudo de Ana Carvalheira , sobre sexualidade feminina.
O questionário,completamente anónimo, pode ser preenchido AQUI.
Outubro 28, 2007
Outubro 25, 2007
Outubro 21, 2007
Volto terça-feira, depois de tentar esquecer o equivalente tenistico do Fátima.
Outubro 19, 2007
O argentino devia ter começado a tremer quando viu o Roger Federer vestido de preto, óbvio presságio. O pobre Canas talvez não se tenha apercebido, mas a ideia era crucificá-lo tenisticamente, como vingança pelas recentes vitórias sobre Federer. Algo me diz que este deve ter sonhado não com um jogo de 53 minutos, 6-0,6-3, mas com horas de tortura, recheado de zeradas e talvez com Canas a implorar por piedade.
Aliás, quanto mais o suiço respeita/valoriza/sente perigo num adversário,maior a exibição de crueldade desportiva: zeros, jogadas brilhantes e incencíveis,zeros. Já não se trata de ténis de outro mundo ( como eu gosto de citar os comentadores do Eurosport!), mas de dominação do outro mundo. Submeter é o objectivo, não a simples vitória.
Ah,nada como uma partida de ténis para apreciarmos uma sessão de BDSM socialmente aceite e aplaudida!
Nem sei porquê tanto texto,esta fotografia resume tudo perfeitamente: postura, a austeridade e eficácia do gesto, a expressão – Roger Federer destila dominador por todos os poros.

Outubro 18, 2007
Outubro 17, 2007
Esta infeliz ménage à trois vocabular encontrou a sua cama ideal no ténis feminino.
A Whirlpool ( sim, uma marca de electrodomésticos patrocina um evento desportivo feminino!Quem se lembraria disso?) orgulha-se de estar em campo com as campeãs. Por causa da sua agressividade? Por causa da sua energia combatividade , resistência e elegância? Não, por razões muito mais elevadas: a Whirpool sabe, que, no desporto feminino, a técnica é secundária. Importante é o sentimento, a intuição, o 6º sentido e semelhantes esoterismos normalmente associados ás mulheres. Não sei como é que o meu micro-ondas ainda não se tornou cartomante,mas, por outro lado, não é Whirlpool.
Ou seja, tal como a mulher ideal , que vive em função da harmonia estética da sua cozinha, os electrodomésticos Whirlpool são silenciosos, bonitos, graciosos. O que este conceito patético tem a ver com ténis, desporto por excelência combativo e competitivo, é que ainda não percebi.
Já Maria Sharapova decidiu, corajosamente, mesclar as barreiras entre arte e desporto, levando o Lago dos Cisnes até Wimbledon, esse jardim da competição desportiva,encarnando Odette. Eu, simples campónia que sou, acredito que os cisnes ficam bem nos lagos e no Bolshoi. E não, o court não é um jardim, é uma arena, um espaço de competição, onde não há lugar para aves delicadas com medo de serem comidas por falcões.
Mas a atleta não desistiu de inovar e questionar, reflectindo desta vez sobre a moda: será arte ou entretenimento? Porque não trazer a passerelle até Flushing Meadows? E.já agora, vamos encher o nosso fato de blings muito brilhantes da Swarowski, não vá ficar muito escuro em Nova Iorque e ser necessário localizar a jogadora?
Porque não dar a entender que o desporto feminino nada mais é que uma exibição de fatiotas e não verdadeiro desporto?
Com tudo isto, sinto-me ultrajada que o máximo da ousadia que os desportistas masculinos se permitem seja vestir preto em alguns jogos nocturnos, ou vestir á sport-camionista. Porque não irem para o court de camuflado, uma vez que cada jogo é uma batalha? Porque não usar fatos inspirados pelos gladiadores? Onde está a roupa insinuante, os tecidos vaporosos que nos permitem deliciar-nos com o corpo dos tenistas. a cada movimento seu?
Pois,já me esquecia que o desporto não é lugar para estas coisas.
Outubro 15, 2007
Estou assustada.
Sinto uma atracção altamente condenável e perturbante em relação a alguns blogs ( ás vezes, só alguns posts) de alguns homens de direita. Não sei se é o uso do tom nós somos os novos liberais , os posts de uma linha, que não dizem nada,mas conseguem parecer enigmáticos como o sorriso da Mona Lisa ( que também não deve significar nada de especial) e da Nefertiti ( deveria ter dado referências masculinas…mas não dei) ou a forma roughly sexy de colocarem as suas idéias. E claro, o sentido de humor. Os homens dos blogs a que me refiro são requintados, certeiros e cruéis quando empregam o seu sentido de humor. Falam maioritariamente como se estivessem numa esplanada a comentar o sol. Depois oferecem-nos uma agradável bebida. Quanto o veneno já causou algum efeito, faz-se luz: acabei de gostar de ler o post defendendo uma ideologia em que pouco sentido encontro.
É de lamentar, mas a maioria dos blogs de homens de esquerda ( com quatro excepções e, claro, os três Gatos) são demasiado sérios e escrevem como se o Apocalipse fim do mundo estivesse a acontecer e eles ainda não tivessem conseguido catequizar salvar transmitir a verdade o seu ponto de vista de forma eficaz e isso fosse terrivel . Parecem o Super-Homem incapaz de travar Lex Luthor, Tom Cruise incapaz de terminar a missão e Bourne incapaz de descobrir a verdade. Uma angustia existencial apenas comparável á do já referido Bourne depois de descobrir a verdade, mas que não é resolvida em 5 minutos.
Mas a forma mais pungente de auto-infligir sofrimento é ler blogs de mulheres de direita ( com duas excepções…ás vezes): o tom nostálgico pelo tempo em que não podíamos foder livremente, a defesa do macho posto em perigo pelas criaturas feministas, o concordar com os inseguros que não suportam mulheres independentes, sendo elas próprias mulheres realizadas profissionalmente,etc. tudo escrito em blogs de sedutor layout, com cuidados textos. Há coisas que me assustam menos que blogs de mulheres de direita como,por exemplo,as baratas, o Roger Federer perder para o apanhador de bolas e uma avaria definitiva do computador, ficando sem ligação á net e perdendo um trabalho escrito, precioso, que não tinha gravado previamente. Mas, mérito lhes seja reconhecido, são fascinantes quando comparados com o tédio doutrinal dos blogs dos homens de esquerda.
Depois de me acusar a mim mesma de machista, e de me ter condenado á fogueira decidi deitar água sobre a palha e pensar melhor no assunto.
Alguns homens de direita dão tesão ( curioso perceber que a maioria gosta de se apresentar como uma versão menos palonça do Carlos da Maia, mas igualmente dada a conquistas que lhes dão apenas uma efémera satisfação sexual, procurando…enfim) porque é excitante imaginar uma relação sado-masoquista com eles. Alguns ( pronto, que eu saiba,só um) até são aristocratas, por isso são perfeitos para o filme. As frases irónico – melancólicas, o descontentamento subliminar, a (des)esperança , juntamente com uma certa arrogância , escrevem facilmente o argumento ideal.
Depois, é vir embora sem deixar mensagens ou telefones, sem culpas. Coitados, até tenho alguma pena, mas sou uma feminista cruel.Não, na realidade, depois de me lembrar do post do sr. do lago, nem sequer pena tenho.
Já ler um blog de uma mulher de direita é ler uma outra mulher a apontar balas metafóricas á sua ( nossa) cabeça e igualmente á dos homens, embora pareça que não .
Agora, para os padres de esquerda, que pregam mesmo quando fodem, é que não há paciência!
Outubro 11, 2007
Já vou bastante atrasada para comentar o que aconteceu a Marion Jones.
Ao contrário de outros bloguistas,nunca fui uma grande admiradora,mesmo porque apenas suporto medianamente as modalidades em que os atletas tentam obsessivamente imitar chitas,coelhoes e lebres, mas só conseguem parecer pavões .
Mas isso não me impede de sentir uma certa tristeza: deve ser deprimente saber que não se alcançou tudo aquilo que lhe atribuiram e duvidar se alguma vez alcançaria tais feitos sem dopping.
Não faço ideia do tipo de pressões a que Marion Jones esteve sujeita, nem me comovem totalmente as declarações do Comité Olimpico, mas não duvido que quem se pressionou mais intensamente, quem sofreu com o facto de saber que estava a participar numa mentira e quem teve de lidar com as suas fragilidades foi Marion Jones.
Porquê? Essa é que é, na minha opinião, a pergunta que interessa e que espero Marion e outros atletas na mesma situação venham a responder e que profissionais venham a investigar e estudar. Perceber porque alguns atletas decidem arriscar a sua saúde por alguns ,efemeros momentos de glória é tão importante como detectar substâncias dopantes no sangue e na urina: permitirá um melhor apoio ás crianças e jovens que agora iniciam a sua carreira desportiva.
Eu não fiquei minimamente prejudicada pela sua mentira, não sendo fã,não me desiludi e já muitos falaram sobre a questão da verdade desportiva , pelo que me sinto á vontade para afirmar que é assustador pensar numa mulher de 32 anos, cuja carreira nunca existiu na realidade e que se vê agora sem projectos, enfrentando uma possivel pena de prisão.


