Setembro 2007


O que nos distingue é o preço.

 

Atraentes moços, destacando-se o Pedro Granger, aparecem num intrigante anúncio. PG, vestido informal,mas elegantemente,passeia-se pelos corredores de um local indefinido, enquanto os restantes rapazes aparecem como fundo.

 

A principio, perguntei-me:

  • De quem se distinguem eles
  • Será um novo serviço de acompanhantes masculinos, em que, se contratarmos um rapaz do fundo do ecrã,nos oferecem o Pedro Granger
  • Farão descontos se requisitarmos uma orgia
  • Porque serão tão baratos

Depois percebi: era uma campanha da Worten.

 

A juntar ao anúncio do Sapo, em que putos menores de idade avaliam uma gaja toda boa que faz de professora ( imagino qual seria a reacção se os putos fossem substituídos por pitas e a professora por um gajo todo bom,mas enfim… ), concluo que o mau gosto, a estupidez, o sexismo e o sexo foleiro are the new black na rentrée marketinguistica em Portugal.

Porque sim. Porque Anna Bessonova é maravilhosa, verdadeira poesia e sensualidade  em movimento.

Já agora,igualmente porque sim. E porque o encarnado lhe assenta de forma perfeita,além de fazer pendant com o baton de Anna Bessonova.

1. Ainda não percebi porque havemos de louvar a Selecção Nacional de Rugy por ter perdido todos os jogos. Será que Portugal já fica contente com a derrota, enquanto as outras nações só se contentam com a vitória?!

2. Será que, entre o desporto da bestialidade, o eterno futebol e o elegante levantamento de pesos ,não haveria espaço, nos canais desportivos, para transmitirem o Campeonato Mundial de Ginástica Rítmica?! Um dia, tentarei perceber a obsessão pelos desportos que usam bolas e afins, que exclui praticamente todos os outros, com excepção dos que usam rodas. Há um limite pela adoração da forma esférica!!Felizmente, existe a TVE!

 

 

Há algum tempo soube de mais uma coisa que distingue a nobreza da plebe: a forma como é encarado um evento desportivo.

 

Enquanto a nobreza se diverte a viver a competição,não torcendo por nenhuma das partes,a plebel vibra pelos seus.

 

Descobri recentemente que é muito fácil ser da nobreza quando o nosso país não está envolvido ou quando não temos qualquer preferência por nenhum dos intervenientes.

 

Estava, portanto,bastante relaxada quando comecei a assistir ao US Open, através da Eurosport. Não tinha quaisquer favoritos (as) e apenas me interessava ver bom ténis, desporto que nem é o que me mais me faz vibrar .

 

Aliás, embirrava até um pouco com esta modalidade porque,sempre que dois tenistas de defrontavam durante infindáveis horas, lá se lixava a minha esperança de ver na totalidade as competições de Ginástica Rítmica.

 

No entanto, naquela altura, não havia GR para ver, era-me indiferente quem ganhava ou perdia e o nome Federer só me lembrava horas de frustração á espera que aquela patetice (muito interessante quando não há nada mais para ver) de atirar bolas de um lado para o outro acabasse para que eu me pudesse deslumbrar com verdadeiro desporto.

 

 

 

Mas oh ingenuidade! As minhas esperanças de apenas observar a competição começaram a quebrar quando me apercebi que os comentadores do canal, na sua óbvia preferência por Daniel Ferrer me estavam a irritar, quando era óbvio que Roger Federer estava a ser muito superior. Sem o sentimento de que o ténis me estava a frustrar os planos, pude apreciar sem qualquer raiva o ténis do suiço. E depois já não era só o ténis,mas o suiço em si, que quanto mais parecia decidido a derrotar o oponente,mais sexy se tornava. Confesso,assim, que a partir de certo momento, já não estava a assistir a uma competição desportiva,mas a uma espécie de filme erótico alternativo.

 

 

 

Afinal, em que consiste o ténis ( e o futebol,etc) senão numa não consensual penetração simbólica do adversário?

 

Aquando do Euro 2004, o Jornal de Letras publicou um artigo em que apontava diversos livros sobre futebol, desde crónica de humor brasileiras a estudos sociológicos e antropológicos, que realçavam os aspectos simbólicosdo futebol, afirmando alguns autores que o jogo era uma representação do equilíbrio cósmico,etc. Muito interesante,mas o futebol não me fascina assim tanto e, por isso, sempre que vejo um jogo, não medito no alinhamento metafórico dos planetas: há qualquer coisa nos jogos de equipas que me impede de ver ali algo de especial, para além de um amontoado de gente a correr para o mesmo local atrás de uma bola para atirar para o lado contrário. Fascinante.

 

Mas o ténis permite a encenação de um combate entre dois guerreiros,ou, caso nos imaginemos no lugar de César ,como eu fiz, entre dois gladiadores ferindo-se, magoando -se sem outro motivo que não a procura da vitória, enquanto a plateia aprecia uma luta cruel por puro entretenimento. Por acaso, havia lutas entre 22 gladiadores?!Claro que não!

 

Roger Federer é arrogante,afirma que só a posição que ele ocupa é importante e que sente prazer em vencer todos os que o desafiam. Que pena não ter o meu Coliseu privado!