Numa das suas crónicas, RAP castiga as probablidades matemáticas: porque razão o Benfica haveria de perder o campeonato só porque matematicamente era impossível alcançar o Porto,quando era provável que tal equipa,reconhecendo a superioridade moral,ética e estética do Benfica,lhe oferecesse a Taça?
Pois bem,porquê encarar a derrota de Roger Federer de uma forma tradicionalista e conservadora,desprezando poliédricos pontos de vista, suspensos no infinito? A Eurosport, essa templo da Filosofia disfarçado de canal desportivo,meu mestre,iluminou-me a mente, dando o primeiro passo na desconstrução de um pensamento rigido. No dia em que o representante masculino da Sérvia que não usava óculos matematicamente se superiorizou ao Rei Sol ao Roger Federer, qual era a imagem que dominava a página frontal do canal desportivo? Djokovic pulando e clamando iuppi?Não. Recusando a formalidade e retomando uma linguagem metafórica,a Eurosport mostra-nos,na sua primeira página,Roger Federer solitário,perante a vastidão azul de uma derrota filosófica. Em vez da vitória do puto,a meditação de um guerreiro.O azul simbolizando o retorno,o nascer de novo,as novas possibilidades. Iluminador.Tenho a certeza que o seu adversário considerou,logo ali,devolver-lhe a vitória,mas o moço ainda é jovem,timido demais para estas atitudes arrojadas e rebeldes,faltando-lhe a coragem de desafiar os deuses,que,invejosos de Federer ( Zeus não deveria ser lá muito bom no ténis) empregaram o Sérvio como instrumento de castigo.
Reparem,mesmo depois de o Joker Nole ter vencido na terra dos cangurus e dos koalas,a Eurosport prefere destacar o heroismo de Crisnaldo,que,solitário,salvou o Manchester.Lá está,de novo uma referência á Tragédia.
Também eu pretendo encarar a questão de outras formas: e se tudo não fosse mais do que uma competição entre a Nike e a Adidas para averiguar qual das marcas conseguia combinar melhor o azul e o negro? Enfim,a Adidas já começou com alguma desvantagem,porque,bem,o puto Sérvio sem óculos é girito,mas o Federer faz parte do grupo de panteras-macho que só não apareceram neste filme porque o Suiço ainda não tinha nascido.
Neste contexto,uma batalha Suiça – Sérvia atingiria um outro nível de intensidade e…bem,não me irei perder em fantasias sexuais envolvendo ser dominada pelo Roger Federer,porque,afinal,é de Filosofia que este post trata ( se bem que poderiámos conjecturar o que procurava a protagonista de Cat People: se um macho,se um parceiro meio tótó).
Portanto,de um ponto de vista estético,a Adidas perde.E,se a roupa é a pele,então a Adidas perde também a um nível simbólico.
De um ponto de vista literário,todos sabemos que o herói tem de ser vencido,para depois de vingar.RF ainda não nos tinha brindado com esse momento,a hora da vingança.Não pode haver vingança nem expiação sem derrota e,até agora,nós tínhamos sido privados de tais momentos que nos colocam perante o significado da existência.
Além disso,o boy Sérvio,que joga muito bem,não é lá muito dominador.RF perde e,mesmo assim,nas fotografias da Getty Images,parece que está a ganhar. Perde,mas o seu dominio do court e do publico é inquestionável. Nole,rapaz,isto,ou se tem ou não se tem,e tu não tens.Vai,vai fazer imitações da Sharapova e,entretanto,exige á Adidas que te faça umas roupinhas mais giras.
De um ponto de vista quiçá mais concreto,Roger Federer dá tesão. Match point.

?), referi como,para mim, Marian seria uma quase segunda Xena.